quarta-feira, 30 de março de 2011

Como foi o Fim-de-Semana?

O momento pelo qual ansiamos durante todo o período chegou finalmente, no dia 25 de Março, uma vez que o nosso grupo e mais 8 pessoas se dirigiram à Casa de Saúde de Braga para lá passar o fim-de-semana. Por volta das 18 horas e 30 minutos fomos atenciosamente acolhidos pela Irmã Fernanda que brevemente e sinteticamente nos apresentou o campo de férias. Depois disto, e após um tempo para os participantes escolherem e prepararem os seus quartos e os animadores decorarem a capela onde seriam realizados vários momentos de oração ao longo do fim-de-semana, iniciou-se a dinâmica de apresentação. Esta constou de inúmeras perguntas do género “quebra-gelo” que proporcionaram desde logo uma maior confiança e união entre todos os elementos que constituem o fim-de-semana. De seguida, já todos necessitávamos de um bom jantar, jantar esse que tentou incutir desde logo o espírito de partilha tão característico da espiritualidade Inaciana e do nosso colégio. Após o jantar, enquanto uns arrumavam a sala outros tiveram direito a um momento de descontracção e convívio antes da visualização do filme: “Rain Man”, filme adequado ao fim-de-semana que estávamos a viver, uma vez que, abordava a vida de uma pessoa doente. Chegado o fim do filme, já era tarde pois este teve uma longa duração, era hora de um momento de oração e reflexão essencial para retomar forças, nos encontrarmos, estar em grupo e sobretudo aceitar este fim-de-semana e as unidades que nos foram confiadas como uma missão. Foi também nesta oração que descobrimos qual seria a unidade onde iríamos trabalhar, o que despertou no fim da mesma, uma certa excitação e curiosidade para saber com que tipo de doentes iríamos lidar, que levou a mais um momento de convívio antes de irmos dormir. Já a noite ia longe quando o sono chegou e assim despedimo-nos e fomos dormir. Era já sábado, os despertadores tocavam, eram 7 e meia da manhã …. oh não! Ainda muito ensonados fomos tomar banho para conseguir chegar a tempo ao pequeno-almoço que duas pessoas atenciosamente foram buscar.
Após alimentarmos o corpo sentimos necessidade de ir alimentar a alma e perceber o que gostaríamos de dar às pessoas que iríamos encontrar, o que precisávamos para nos entregar a esta missão. Após esta oração todos os elementos do fim-de-semana escolheram as batas que simbolizam, na Casa de Saúde, a juventude hospitaleira sempre disposta a servir. Já com as batas vestidas, a Irmã Fernanda fez-nos uma visita guiada por toda a Casa de Saúde o que nos possibilitou desde logo perceber um pouco do que iríamos viver ao longo deste fim-de-semana, sendo para muitos o primeiro contacto com o irmão doente. No culminar desta visita tivemos o prazer de receber a coordenadora do projecto e estimada professora Sandra Rocha que nos acompanhou ao longo do restante dia.
Posteriormente, fomos para as respectivas unidades e tivemos a necessidade de cancelar o discernimento pessoal marcado, uma vez que a visita demorou mais tempo que o previsto. Já nas unidades percebemos que os doentes mentais, habitualmente estigmatizados pela sociedade são na realidade pessoas revestidas de simplicidade mas com um grande coração. Depois deste tempo nas unidades fomos lanchar e tivemos um pequeno momento de descontracção para posteriormente voltarmos com força para as unidades. Neste novo regresso, as doentes já nos conheciam e aí, avalanche de acontecimentos e sentimentos desabou sobre nós, mas foram estes acontecimentos e sentimentos que nos fizeram perceber que o que nos liga à pessoa doente, independentemente da condição dos seus sentidos, é um toque, um abraço, é algo que marca a nossa presença junto dela. De seguida, tivemos um reconfortante almoço e mais um tempo de descontracção onde alguns dormiram e outros partilharam o grande desafio a nível nacional que estavam a viver. Uma vez que o contacto com esta realidade gerou um certo desconforto e, quando menos se esperava, uma lágrima corria sobre o rosto não sendo, porém, um obstáculo.




Terminado o tempo de descanso, dirigimo-nos, novamente, às unidades onde as doentes esperavam ansiosamente por nós, agora já nos sentíamos quase capazes de dizer que tínhamos novos amigos, percebemos o que é dar gratuitamente, faz-nos esquecer as coisas superficiais, percebemos que somos importantes para aquelas doentes, que a nossa presença as marcou, que fomos companhia e responsáveis pelo brotar de contínuos e diversos sorrisos. Ao fim de duas horas, sentimos necessidade de uma nova pausa para recarregar energias e para partilhar emoções, pausa esta de uma hora. Já com as energias recarregadas, alguns elementos foram à eucaristia da Casa de Saúde que conta também com a participação de doentes a passo que os outros foram para as unidades para concretizar a sua última missão ao longo deste dia. Foi talvez nesta última visita que nos sentimos mais úteis, uma vez que, pudemos auxiliar as doentes na sua alimentação e até na higiene pessoal. Finalizado o nosso trabalho nas unidades, tivemos direito a um merecido jantar que terminou em beleza com a chegada do Padre Pedro Mendes e da Professora Lara Almeida que vinham para colaborar no nosso serão. Estávamos, então, prontos para o serão que nos esperava, mas que, infelizmente, sofreu algumas alterações devido às condições meteorológicas. Iniciou-se com uma pequena caminhada a pares com uma dinâmica de partilha até a um café próximo onde paramos para beber qualquer coisa. Aí surgiu a ideia de nos deslocarmos até ao Sameiro para podermos apreciar a beleza da cidade de Braga. Quando lá chegamos a chuva tornou-se mais intensa o que impossibilitou a saída das automóveis, desta forma, a Professora Lara Almeida convidou-nos a ir visitar a sua casa. Assim fizemos, e lá tivemos um momento de convívio até aproximadamente às duas da manhã, hora à qual regressamos à Casa de Saúde. Já na Casa de Saúde, por motivos de cansaço decidimos tornar a oração da noite opcional. Contudo, contamos ainda com a participação de cinco elementos, que podem até afirmar que viveram um grande momento de partilha e encontro com Deus. Perceberam também que a imagem do criador se reflecte em cada ser humano, daí o respeitar da dignidade de todos ser uma prioridade para nós.
O cansaço reflectia-se similarmente nestes cinco elementos que foram imediatamente dormir logo a seguir à oração.
De novo às sete e meia da manhã os despertadores tocavam, contudo o acordar foi já bastante mais fácil. Fomos então tomar o pequeno-almoço que sustentou o nosso corpo ao longo de toda a manhã. De seguida, tivemos a oração da manhã que nos propôs uma despedida das unidades um pouco diferente do que era suposto, dirigimo-nos às unidades onde estivemos durante duas horas e onde tivemos a oportunidade de entregar à doente que mais nos marcou um origami em forma de flor.
Ainda um pouco tristes com a despedida das unidades, iniciamos a eucaristia que foi como um culminar do nosso fim-de-semana, onde tivemos oportunidade de agradecer e entregar a Deus todos os momentos especiais que tivemos ao longo do fim-de-semana. Depois desta privilegiada eucaristia realizamos a nossa última refeição na Casa de Saúde que nos deu força para posteriormente arrumar todo o campo de férias. No fim de tudo arrumado, tivemos apenas de fazer as avaliações e registar fotograficamente o grupo.
Despedimo-nos da Casa de Saúde cada vez mais apaixonados pela vida, e da mesma forma, sabendo que o verdadeiro sentido desta está muito para além do prazer momentâneo, do luxo e do conforto, o verdadeiro sentido da vida está no contacto com os outros. Esta descoberta da hospitalidade, nesta forma concreta de serviço ao doente mental foi uma forma de abrir o coração e ver com os olhos de Deus. E, com esta forma mais atenta de ver o mundo, sentimos agora uma maior responsabilidade para com a sociedade. Há mesmo locais e pessoas que nos marcam, que nos ajudam a ser quem somos, que nos fazem crescer e que são imprescindíveis da nossa identidade humana. E, para nós, a Casa de Saúde passou a ser um destes locais e as Irmãs Hospitaleiras umas dessas pessoas.
Nós, elementos do grupo nº3 saímos também com espírito de missão cumprida porque fomos capazes de transmitir aos outros o que é a doença mental e o que é o irmão doente. Sentimos apenas que houve uma pequena falha a nível de liderança, talvez porque nenhuma de nós se quis destacar em relação às outras.

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